16.7.05

Da entrega


Não que o que se detém na parte mais íntima de si mesmo seja objeto por demais precioso. Não que o fato de conservar esperanças utópicas seja tão louvável quanto manda a pieguice. Com o passar dos tempos se percebe que por mais atrativos que sejam os conceitos de carpe diem, eles sublimam os prazos de validade.

O fato é que mesmo sendo fulgazes, as coisas devem ser vividas. Intensa e ensimesmadamente. Como se uma camada de tempo fosse recortada e colocada a parte do todo, como se um casulo envolvido de pensamentos mágicos em proximidade de completude fossem erguidos.

O amanhã não se pensa. Se espera, como toda sentença deve ser aguardada. Não, isso não sonega a capacidade de sonhar, pelo contrário, a estimula. Com todo o pé no chão possível.