9.1.06

Da possibilidade de amor.

Há coisas que, ao surgirem, parecem cármicas. Mean to be, Maktub, estava escrito, tinha de ser, força do destino. Não faltam rótulos pra os acontecimentos inesperados, mas cheios de justificativas implícitas. Assim acontece com o amor singelo. As pequenas felicidades. Elas aparecem do nada, e ao mostrar a que vieram trazem consigo as miúdas e bem vindas confusões.

Vezenquando me pegava pensando em quando meu coração palpitaria de novo, quando seria acometido pelo surto de pieguice que só instala na vida de quem acredita e preza as tais felicidades singelas. E assim foi. Quando não parecia haver muita possibilidade, aconteceu. E foi bom. E vale a pena.

Longe do lacônico, aceitamos os silêncios. Diferente do cafona, sustentamos os olhares. Mais que uma mera questão de pele, criou-se o vazio a ser abraçado. E assim é a possibilidade do hoje. Pensar no vir a ser do breve, do bom e do quente. Esperar que ao menos uma vez dê certo. Com pieguice e tudo.
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Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom.

Caio F.